INFOSIGA SP
Saiba como é produzido o relatório mensal de acidentes fatais que é referência no Estado

Ferramentas desenvolvidas logo após a criação do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, em 2015, o INFOSIGA-SP e o INFOMAPA-SP fornecem informações de qualidade e com transparência à população.

A primeira divulgação dos números ocorreu em fevereiro de 2016, quando foram revelados os acidentes de trânsito com ou sem óbitos de todos os 645 municípios paulistas relativos ao mês de janeiro daquele ano. E, também do período anterior, entre janeiro e dezembro de 2015.

O principal objetivo da iniciativa, desde então, é ir além da mera informação, provocando mudanças tanto no âmbito das políticas públicas sob a responsabilidade dos municípios e do governo estadual, como da sociedade, que deve ser sensibilizada e conscientizada por meio de campanhas.

A metodologia parece simples à primeira vista, mas por trás dela há o trabalho de uma brava equipe de TI que desenvolve softwares, revisa e audita documentos e lê milhares de Boletins de Ocorrência (B.O.s) mensalmente.

A base de dados do INFOSIGA, cuja sigla significa Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo, é uma plataforma da Polícia Civil, o RDO (Registro de Ocorrências). Esse sistema sintetiza todos os boletins de ocorrência gerados no Estado de São Paulo.

Essa grande massa de números inclui de furtos a homicídios passando pela alcoolemia e, é claro, pelos acidentes de trânsito que causam mortes. Para destrinchar esse volume gigantesco de informações, separando o que interessa ao Sistema, o seguinte passo a passo meticuloso é percorrido pela equipe do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito:

 

Triagem

Primeiro é feita uma triagem digital, via software, de acordo com a natureza da ocorrência: algumas se referem a palavras-chave ligadas a acidentes no próprio nome da ocorrência, como “homicídio na direção de veículo”, “tombamento” e “capotamento”.

Quando a palavra-chave não está registrada na natureza da ocorrência, a triagem digital passa a averiguar as seguintes causas de mortes: “natural” ou “suspeita”. Nesses casos, a seleção também é realizada por um software que rastreia palavras-chaves relacionadas a acidente de trânsito na descrição da ocorrência.

Tudo o que passa pelas duas triagens é, em etapa posterior, submetido a uma triagem manual realizada pela equipe do Movimento, que checa se realmente a ocorrência é de trânsito e deve constar no Sistema. Ao todo, são lidas entre 2,1 mil a 3 mil ocorrências por mês.

O número resultante do último passo ainda é verificado por uma auditoria interna, para checagem e correção de eventuais erros. O restante segue para a tabulação conforme critérios já descritos no B.O.

É importante ressaltar que parte dos critérios constantes no INFOSIGA-SP é do próprio B.O. O sexo da vítima fatal e a sua faixa etária (são 14, no total), além da localização por município da ocorrência (não da morte, caso seja posterior à ocorrência).

Outros itens são adicionados pela equipe que elabora a ferramenta, como tipo de acidente (se foi colisão, capotamento, atropelamento, entre outros) e o meio de locomoção da vítima fatal (se foi pedestre, ciclista ou motorista etc.).

“Ao avaliarmos os tipos de acidente e meios de locomação, conseguimos entender melhor a dinâmicas dos acidentes e propor ações de mitigação mais eficientes”, explica o coordenador técnico do Movimento Paulo, Evandro Vale.

 

Vantagem

Qual seria a vantagem deste sistema em relação ao cadastramento feito pelas companhias de engenharia de tráfego municipais? Numa metrópole como São Paulo, por exemplo, os números de mortos em acidentes de trânsito com óbitos têm como fonte primária o IML (Instituto Médico-Legal). Nem sempre as mortes que acontecem mais de 30 dias após o acidente são consideradas nas estatísticas.

O número, de acordo com a equipe que elabora a os sistemas, não é desprezível. Dos óbitos, 75% ocorrem na hora ou algumas horas depois do acidente, mas cerca de 5%  acontecem mais de 30 dias após a ocorrência. O Sistema mapeia essa totalidade, checando minuciosamente os números.

 

INFOMAPA

Além dos relatórios, que são divulgados sempre no dia 19 do mês seguinte ao da análise, foi criado também o INFOMAPA. Trata-se de uma ferramenta visual que complementa a informação, gerando a visualização, por meio de plotagem, de pequenos bonequinhos nas ruas e avenidas onde ocorreram os óbitos em um mapa digital online.

O INFOMAPA agrega, além das informações do INFOSIGA, as coordenadas geográficas do acidente (latitude e longitude), além do horário da ocorrência, dividido em quatro turnos, de seis em seis horas: manhã, tarde, noite e madrugada. Os relatórios do INFOMAPA trazem detalhes dos acidentes com morte de município por municípios do Estado. Ambas as ferramentas são divulgadas, com atualizações, no site www.infosiga.sp.gov.br.

Para os gestores das 645 cidades paulistas – de pequeno, médio ou grande porte – os dados revelados são valiosos para planejar e executar obras de engenharia de tráfego, ou até mesmo campanhas sazonais, como as realizadas durante o Maio Amarelo.

Pelo Sistema é possível vislumbrar qualquer tendência em relação à segurança viária no Estado de São Paulo. A série histórica mostra claramente, desde 2015, uma diminuição nos números totais de óbitos nos municípios. As estatísticas podem ser estudadas de diversas maneiras, para que as políticas sejam aplicadas conforme a necessidade do município.

Em geral, no Estado, tem se confirmado a tendência de liderança do ranking de mortes aqueles casos que envolvem motoristas de motocicletas: 1.900 no acumulado em 2017, acima até dos atropelamentos (1.596). 

Também é interessante observar que não o foco não está na informação de se a pessoa morreu em um hospital apenas três dias, ou três meses, após a ocorrência. A informação importante, no caso, é rapidamente saber qual é a via urbana que tem possibilidade de causar óbitos a qualquer tempo, para que sejam resolvidos localmente, seja por meio de campanhas de conscientização ou obras viárias.

O futuro

“A evolução deste trabalho é podermos não apenas quantificar os óbitos, mas também apontar suas causas. O sistema de dados representa hoje a grande entrega do Movimento Paulista e uma referência para o combate à violência no trânsito em nosso país”, afirma a coordenadora do programa, Silvia Lisboa.


Governo do Estado de São Paulo